Internet supera televisão por margem estreita na verba publicitária do primeiro semestre
A diferença entre os dois meios foi de R$ 13,5 milhões, ou 0,1 ponto percentual. Por que esse empate técnico ainda não resolve a disputa por verba.

Dados do Cenp-Meios mostram que a internet recebeu R$ 5,621 bilhões entre janeiro e junho, apenas R$ 13,5 milhões a mais que a televisão
A internet ficou à frente da televisão na participação das verbas publicitárias destinadas por agências brasileiras no primeiro semestre de 2026, segundo dados do painel Cenp-Meios. Entre janeiro e junho, o meio digital recebeu R$ 5,621 bilhões, equivalentes a 40,7% do total, enquanto a televisão movimentou R$ 5,608 bilhões, ou 40,6%.
A diferença entre os dois meios foi de aproximadamente R$ 13,5 milhões. O resultado ocorreu em um mercado que movimentou R$ 13,815 bilhões no período, com crescimento de 15,8% em relação ao primeiro semestre de 2025.
Disputa equilibrada
Embora a internet tenha liderado o ranking, a diferença entre os meios foi pequena. Em termos de participação, a vantagem foi de 0,1 ponto percentual, o que caracteriza um cenário de equilíbrio entre os dois principais destinos das verbas de mídia.
Os dados não indicam que a televisão tenha perdido relevância. Com 40,6% de participação, o meio continua respondendo por uma parcela praticamente equivalente à da internet e permanece central nas estratégias de alcance e construção de marca.
A televisão aberta concentrou R$ 4,173 bilhões, o equivalente a 74,4% dos investimentos destinados ao meio. A TV por assinatura recebeu R$ 1,435 bilhão, correspondente a 25,6% da verba televisiva.
Internet reúne diferentes formatos
A internet aparece no painel como um conjunto de formatos e plataformas com funções distintas. A maior parcela dos investimentos digitais foi destinada a display e outros formatos, com R$ 3,263 bilhões, equivalentes a 58% da verba destinada ao meio.
Na sequência aparecem social, com R$ 1,349 bilhão e participação de 24%; vídeo, com R$ 651,3 milhões e 11,6%; busca, com R$ 336,9 milhões e 6%; e áudio, com R$ 20,9 milhões e 0,4%.
Essa divisão mostra que comparar internet e televisão exige cuidado. A internet reúne ambientes voltados à busca, ao relacionamento, ao vídeo, à publicidade em plataformas e à compra programática. A televisão, por sua vez, é dividida no painel entre TV aberta e TV por assinatura.
Por isso, a liderança da internet não deve ser interpretada como uma substituição imediata da televisão. O resultado indica que os anunciantes estão distribuindo grandes volumes de verba entre meios com características, métricas e funções diferentes.
OOH amplia participação
A disputa entre internet e televisão também acontece em um mercado no qual outros meios vêm ganhando espaço. A mídia out of home, ou OOH, recebeu R$ 1,857 bilhão no primeiro semestre e alcançou 13,4% de participação no painel Cenp-Meios.
O resultado representa crescimento de aproximadamente 30% em relação ao primeiro semestre de 2025. Com isso, a mídia exterior se mantém como o terceiro maior meio em participação nos investimentos monitorados pelo levantamento.
O desempenho do OOH reforça a expansão do planejamento para além das telas pessoais e da televisão. Painéis digitais, mobiliário urbano, terminais, aeroportos, shoppings e outros ambientes passaram a fazer parte de estratégias que combinam localização, contexto e frequência.
Mercado cresce no primeiro semestre
O total de R$ 13,815 bilhões movimentado entre janeiro e junho representa alta de 15,8% em relação aos R$ 11,9 bilhões registrados no mesmo período de 2025, segundo a repercussão dos dados do Cenp-Meios.
O painel considera os investimentos em mídia realizados por 306 agências participantes, sendo 240 matrizes e 66 filiais. A base reúne valores declarados pelas agências e organizados de acordo com o meio de comunicação que recebeu a verba.
O levantamento não representa necessariamente todo o investimento publicitário realizado no Brasil. Ele retrata o universo monitorado pelas agências participantes do painel e deve ser interpretado dentro dos critérios metodológicos apresentados pelo Cenp.
O que o dado revela
A proximidade entre televisão e internet mostra que o planejamento de mídia está menos concentrado em uma única lógica de distribuição.
A televisão continua relevante para campanhas que precisam de alcance, frequência e presença em conteúdos de grande audiência. A internet oferece segmentação, possibilidades de interação, formatos de performance e diferentes níveis de mensuração.
Na prática, muitas campanhas utilizam os dois meios de maneira complementar. A televisão pode ampliar o conhecimento de uma marca, enquanto os canais digitais aprofundam a interação, direcionam tráfego ou estimulam uma ação específica.
O avanço do OOH acrescenta outra camada ao planejamento. A mídia exterior pode conectar a mensagem aos deslocamentos, aos pontos de venda e aos momentos em que o consumidor está fora de casa.
Comparação exige cuidado
O share de investimento mostra quanto cada meio recebeu em relação ao total monitorado. Ele não mede, sozinho, audiência, eficiência, retorno sobre investimento ou capacidade de gerar vendas.
Também é preciso considerar que a internet é apresentada como um grupo de formatos diferentes. Busca, social, vídeo, áudio e display possuem dinâmicas próprias, públicos distintos e objetivos que podem variar entre reconhecimento, consideração e conversão.
Da mesma forma, a participação da televisão no painel não informa, sozinha, quais programas, emissoras, faixas horárias ou públicos receberam a maior parte dos investimentos.
O resultado do primeiro semestre mostra uma liderança estreita da internet, mas não permite afirmar que a televisão perdeu sua posição estratégica. O dado mais preciso é que os dois meios chegaram a um equilíbrio inédito ou pouco frequente dentro do painel analisado.
Uma disputa que continua aberta
A internet terminou o primeiro semestre de 2026 na frente da televisão por uma diferença pequena. O resultado chama atenção porque confirma o avanço do digital, mas também mostra a força contínua da televisão no planejamento das marcas.
Com internet e televisão concentrando juntas 81,3% dos investimentos monitorados, a disputa entre os dois meios deve continuar influenciando decisões de agências e anunciantes.
Ao mesmo tempo, o crescimento do OOH e a expansão de formatos como vídeo, social, retail media e mídia programática indicam que o mercado publicitário não está apenas escolhendo entre TV e internet. Está reorganizando o papel de cada canal dentro de jornadas de comunicação cada vez mais integradas.
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