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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
OOH OOH cresce 48,6% no Brasil e já representa 14,8% do mercado publicitário
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OOH cresce 48,6% no Brasil e já representa 14,8% do mercado publicitário

A mídia exterior movimentou R$ 827,1 milhões no primeiro trimestre e cresceu mais que o dobro do mercado. O que a digitalização tem a ver com esse salto.

RM
Redação Meteoro 2 de setembro de 2026 · 6 min de leitura
Imagem ilustrativa · Portal Meteoro

Mídia Out of Home movimentou R$ 827,1 milhões no primeiro trimestre de 2026 e cresceu mais que o dobro do mercado publicitário no mesmo período

O mercado brasileiro de mídia exterior começou 2026 em ritmo acelerado.

Cenário OOH no Brasil

Dados do Painel Cenp-Meios, divulgados em junho, mostram que os investimentos em Out of Home (OOH) chegaram a R$ 827,1 milhões no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 48,6% em relação ao mesmo período de 2025.

Além disso, OOH cresce no Brasil com a maior adesão de anunciantes aos formatos digitais.

O avanço chama atenção porque foi significativamente superior ao crescimento do mercado publicitário como um todo.

Além disso, entre janeiro e março, os investimentos em mídia registrados pelo Cenp cresceram 18,3% na comparação anual.

Com o resultado, o OOH alcançou 14,8% de participação no mercado publicitário monitorado pelo Cenp-Meios.

Além disso, Oh cresce no Brasil, consolidando-se entre os três principais destinos das verbas de mídia no país.

Mas o número mais importante talvez não seja o crescimento de um único trimestre.

O que os dados mostram é uma mudança mais ampla na posição que o OOH ocupa dentro do planejamento de mídia das marcas.

De mídia complementar a protagonista

Durante muito tempo, a mídia exterior foi tratada como um meio complementar dentro de grandes campanhas.

Outdoor, painéis, relógios de rua, mobiliário urbano e outros formatos eram frequentemente utilizados para reforçar uma comunicação que acontecia principalmente em televisão, rádio ou, mais recentemente, no ambiente digital.

Essa lógica vem mudando.

Entre o 1º trimestre de 2022 e o 1º trimestre de 2026, o investimento em OOH aumentou.

Além disso, passou de R$ 356,1 milhões para R$ 827,1 milhões, com alta acumulada de 132,3%.

No mesmo período, a participação do meio no mercado monitorado pelo Cenp passou de 10,3% para 14,8%.

Ou seja: não estamos falando apenas de um trimestre excepcional.

O OOH vem aumentando sua participação no orçamento publicitário.

Além disso, o próprio mercado se transforma, e Oh cresce no Brasil.

E há uma diferença importante entre dizer que uma mídia está crescendo e entender por que ela está crescendo.

O digital mudou o OOH

Uma das principais transformações do setor foi a digitalização dos ativos.

O conceito de OOH deixou de estar associado apenas a estruturas estáticas espalhadas pelas cidades. A expansão do DOOH (Digital Out of Home) trouxe telas digitais, atualização dinâmica de conteúdo, maior flexibilidade de programação e novas possibilidades de integração com dados e outras plataformas.

Essa transformação aproxima o OOH de características que durante anos foram associadas principalmente à publicidade digital.

Uma campanha pode, por exemplo, adaptar sua mensagem de acordo com horário, localização ou contexto. Também pode integrar diferentes pontos de contato com o consumidor, conectando uma experiência física a ações realizadas em dispositivos móveis, redes sociais ou outros canais.

É uma mudança importante porque o valor do OOH deixa de estar apenas no espaço físico ocupado pela publicidade.

O espaço continua sendo fundamental, mas agora existe uma camada de inteligência por trás dele.

A atenção voltou a ser um ativo disputado fora das telas pessoais

Existe ainda outro fator que ajuda a explicar o movimento.

O consumidor está cercado por publicidade.

No celular, nas redes sociais, nos sites, nos aplicativos, nos serviços de streaming e em praticamente qualquer ambiente digital, disputar alguns segundos de atenção tornou-se cada vez mais difícil.

Nesse cenário, o ambiente físico oferece algo que o digital não consegue reproduzir da mesma maneira: presença.

Uma mídia instalada em uma avenida movimentada, dentro de um aeroporto, em um shopping, em um elevador ou na recepção de um edifício não depende necessariamente de um clique para existir.

Ela faz parte do ambiente em que a pessoa está.

Isso não significa que o OOH esteja substituindo a publicidade digital. Pelo contrário.

A tendência mais interessante é justamente a integração entre os meios.

O consumidor não vive sua jornada em um único canal. Ele pode ver uma marca na rua, pesquisar no celular, entrar em uma loja, receber uma oferta posteriormente e voltar a ser impactado por aquela mesma marca em outro ambiente.

Nesse contexto, o OOH passa a funcionar não apenas como uma mídia de alcance, mas como parte de uma estratégia de comunicação integrada.

O que os números significam para anunciantes e agências?

O crescimento do OOH aumenta também a responsabilidade do próprio setor.

Quanto maior a participação de uma mídia nos investimentos das marcas, maior é a necessidade de profissionalização, planejamento e mensuração.

Para anunciantes, isso significa olhar para o OOH além da simples pergunta:

“Onde podemos colocar um anúncio?”

A questão passa a ser:

“Qual ambiente, audiência, momento e contexto podem tornar essa mensagem mais relevante?”

Para as agências, a evolução exige uma integração cada vez maior entre planejamento, criatividade, dados e mídia.

E para os veículos, o desafio é transformar inventário em inteligência.

Ter uma tela, um painel ou uma face disponível já não é suficiente.

É preciso compreender quem está exposto à mensagem, em que contexto, com qual frequência e qual impacto aquela exposição pode gerar.

O próximo desafio é transformar crescimento em maturidade

Os números do Cenp-Meios são positivos para o setor, mas crescimento de investimento não significa automaticamente maturidade.

A próxima etapa do OOH brasileiro passa por questões como mensuração, qualidade de dados, padronização, integração entre diferentes formatos e comprovação de resultados.

A evolução do DOOH e do pDOOH também coloca o setor diante de uma nova realidade: compradores de mídia passam a esperar do ambiente físico níveis de planejamento e inteligência cada vez mais próximos daqueles encontrados no digital.

O mercado, portanto, não está apenas comprando mais OOH.

Está começando a exigir mais do OOH.

E talvez essa seja a principal consequência dos números registrados em 2026.

O OOH não está apenas crescendo. Está mudando de lugar na estratégia das marcas.

O avanço de 48,6% no primeiro trimestre é expressivo por si só.

Mas o dado ganha outra dimensão quando colocado em perspectiva: em quatro anos, o investimento no meio cresceu 132,3%, enquanto sua participação no mercado monitorado pelo Cenp passou de 10,3% para 14,8%.

A mídia exterior já não ocupa o mesmo espaço que ocupava alguns anos atrás.

Ela está mais digital, mais integrada, mais mensurável e, principalmente, mais presente nas discussões estratégicas de mídia.

O desafio agora é fazer com que essa expansão seja acompanhada por uma evolução equivalente em criatividade, dados, tecnologia, planejamento e mensuração.

Porque, se os números mostram alguma coisa, é que o OOH deixou de ser apenas uma mídia que complementa campanhas.

Ele está se tornando parte central delas.


Fonte

Dados do Painel Cenp-Meios: janeiro a março de 2026, elaborado pelo Cenp com informações de 297 agências participantes. O levantamento registrou R$ 5,58 bilhões em investimentos em mídia no período, dos quais R$ 827,1 milhões foram destinados ao OOH/Mídia Exterior.

Compartilhe esta matéria com alguém que trabalha com publicidade, mídia ou comunicação e acompanhe o Meteoro para entender os movimentos que estão transformando o mercado.

Leia também: OOH é o meio que mais ganha espaço no bolo publicitário

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